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Como o Projeto “Fala Mulher” Nasceu e Transformou Minha Vida em Curitiba

Sou uma mulher de 50 anos que, por muito tempo, acreditou que nunca se realizaria profissionalmente. Natural de Itumbiara (GO), vim para Curitiba ainda adolescente trazendo na bagagem uma vida muito humilde. Em minha infância, passamos por diversas necessidades ao lado de uma mãe muito sofrida. Fui criada por um pai adotivo e compartilhei a vida com três irmãos. No entanto, não consegui terminar meus estudos na época, o que dificultou enormemente a minha busca por empregos melhores. Por causa disso, carreguei por anos o peso de me sentir uma pessoa fracassada.

Sem acesso a uma boa instrução formal, sentia-me constantemente frustrada, estressada e sem paciência com nada nem ninguém — brincava até que as pessoas me odiavam. Vivia sem um propósito claro ou vontade de viver, chorando por qualquer motivo banal. O profundo sentimento de não ser amada me acompanhava desde que me entendo por gente. Sempre me senti sozinha, mesmo quando cercada por pessoas na escola, na igreja, no trabalho ou em rodas de amigos. Aquele vazio e aquela solidão nunca iam embora. Casei-me muito nova e, no decorrer da vida, cometi diversos erros dos quais aprendi lições dolorosas.

Contudo, na metade de 2025, a grande oportunidade de me sentir útil e encontrar meu verdadeiro lugar no mundo finalmente aconteceu. Foi exatamente aí que nasceu o Fala Mulher. Posso afirmar com total certeza que esse projeto revolucionou a minha rotina e me permitiu descobrir facetas incríveis que jamais imaginei possuir. Mas afinal, como tudo isso começou? Aqui na minha região, a Associação Comercial (ACINFAZ) conta com a Câmara da Mulher, que promovia eventos voltados ao empreendedorismo feminino mensalmente.

Durante um desses encontros, uma amiga me olhou e disse: “Paty, vamos ensinar essa mulherada a gravar vídeo?” Eu olhei para ela com aquela expressão de quem achava a ideia improvável e respondi: “Mas será que alguém vai querer?” No fim, decidi aceitar o desafio e pensamos: “Está bom, vamos fazer.” Lançamos uma chamada com apenas 30 vagas, afinal, como nunca havísemos feito algo assim, preferimos começar com um grupo menor que pudéssemos gerenciar com tranquilidade. O resultado? Um sucesso absoluto!